|
O CANTO DAS LETRAS

|
|
|
|
|
“NA ESQUINA DO VENTO” – de Ana Briz
LOUCURAS
Não consigo gostar de Pessoa
ou nunca o percebi…
gosto de poesia
que me faça
pensar que vivo
o que não vivi
Não me peçam
para fazer de um homem
tímido, frágil, infeliz,
o meu herói.
Não me façam entender
o ininteligível,
faz-me sofrer
e dói.
Dói-me o seu tinir de infinito
e fujo do sentimento
sem nexo, do seu grito.
Ele é ele, ele é o outro,
e mais o outro
e o tal,
que diz que sente o que mente
e que não mente,
afinal.
O tanger de alma distante,
de curta vida,
essa voz de tédio,
sem remédio,
não é um diamante.
Que a poesia
é o instante do poeta
mas tem que ser brilhante.
Falar o poema
um pouco à toa,
solto ou rimado
é obra de alma
mesmo que doa.
E eu não gosto de Pessoa…
|
Menino de sua mãe
mãe ausente,
mãe que não é mãe,
ele foge de si mesmo.
Encontro de vida
sem vida
que percorre a esmo
sem sombra de ninguém.
“Os caminhos estão todos em mim
qualquer distância ou direcção, ou fim”
diz ele, ego a vibrar.
Os caminhos são do mundo,
a cada um sua distância e direcção
e para todos um fim.
Não, não gosto de Pessoa
e, cada vez mais,
me aproximo de mim.
Mas, quem sou eu?
como me atrevo a falar
do poeta encantado,
por todo o universo
percorrido
em cada letra amado?
Quem sou eu
incipiente versejadora
para assim ousar
falar de um Deus
feito Pessoa?
Mas é assim que eu sinto.
E neste meu jeito impreciso
finjo que sinto o que não sinto,
sinto que não minto
e pressinto
(coisa pouca)
que alguém de juízo
me olhará e, num sorriso,
dirá: mas ela é louca…
|
|
(in revista de "O Cofre” – À frontalidade e arrojo
expresso numa contestação por onde perpassa uma quase ironia, como em
“Loucuras”, alia o fogo oculto das “Memórias de um Outono triste”, que
nunca o poderá ser para quem mostra tão grande paixão de viver! “Na
esquina do vento” encontram-se as brisas, ventos e tempestades de uma
mulher que se assume de corpo inteiro, tornando poesia as suas
inquietações e algumas perplexidades, expondo-nos uma alma vibrante e
apaixonada.)
(conteúdo trazido por
António Gil) |
Nota – Pode adquirir pela Internet
o livro “Na esquina do vento” na 'Som Livre' por € 4,99 em:
http://www.somlivre.pt/loja/viewItem.asp?idProduct=181103
|
|
|
MUXIMA
Na margem esquerda do rio Cuanza, Muxima situa-se no distrito de Bengo,
a cerca de 138 Kms a sul de Luanda.
Sede do concelho de Quiçama, comarca, arquidiocese e distrito de Luanda.
Compreendia, durante o período em que era uma província ultramarina
portuguesa, os postos de Demba, Chio, Cabo Ledo, Mumbendo e Quixinge,
sem contar com a sede. Situa-se a cerca de 40 metros de altitude, na
margem esquerda do rio Cuanza. Tem um clima tropical, quente e húmido e
os meses mais quentes vão de Dezembro a Abril. O algodão, o palmar e os
citrinos eram os produtos mais explorados. A maior parte da área do
concelho constituía (será que ainda constitui?) uma reserva de caça.
Muxima começou como presídio em 1959, com o fim de dominar os
irrequietos povos da Quiçama. Cercada durante o domínio holandês,
conseguiu resistir-lhe e, posteriormente, a sua Fortaleza e a Igreja de
N.ª Sr.ª da Conceição passaram a ser consideradas monumentos nacionais.
As comunicações fazem-se, quer através do rio Cuanza, quer por estradas
que, na década de 1970, podiam ser consideradas como excelentes, ligando
a Muxima a Gabela, a Porto Amboim, a Maria Teresa (40 kms), a Demba Chio
(55 kms) e a Luanda (138 kms).

Muxima
[Carlos Aniceto Vieira Dias]
Muxima ue ue, muxima ue ue, muxima
Muxima ue ue, muxima ue ue, muxima
Se uamgambé uamga uami
Gaungui beke muá santana
Kuato dilagi mugibê
Kuato dilagi mugibê
Kuato dilagi mugibê
Lagi ni lagi kazókaua
Kuato dilagi mugibê
Kuato dilagi mugibê
Kuato dilagi mugibê
Lagi ni lagi kazókaua
A
palavra "muxima" quer dizer coração em Kimbundo. Essa música fala da
Nossa Senhora do Coração dos Angolanos; é um hino naquele país. |
A capela da Nossa Senhora da Muxima é dos
lugares de Angola em que fica bem evidenciado o lado espiritual de
África dos africanos. Conta a lenda popular que ela surgiu
repentinamente, por obra de um milagre da Santa Maria, que terá tido
duas aparições no local na primeira metade do século XVII. Desde então o
local tem sido um dos pontos preferenciais de muitos crentes, a maioria
dos quais católicos. Relata o padre local, o mexicano Mário Torrez, que
o povo acredita não só no poder contido na capela, mas em toda a área
circundante. Muxima (coração em Kimbundu) é uma zona de forte tradição
de magia e bruxaria, pelo que o "surgimento milagroso da capela" terá
sido uma demonstração de poder de Maria sobre as outras poderosas da
área. Pouco claras são igualmente as versões convencionais sobre as
autoridades que edificaram a capela e o forte naquela localidade do
município da Kissama. Determinados estudiosos atribuem a edificação da
capela e do forte aos holandeses - na época em que ocuparam Angola -
enquanto a grande maioria destes acredita ter sido obra dos portugueses.
A segunda tese é sustentada pelo facto de a Holanda não ter tradição
católica, e por os holandeses terem dominado por pouco tempo (cerca de 5
anos) os territórios de Ngola. Acresce-se ainda a particularidade de o
forte, localizado no morro, situado ao lado da capela, em que se diz ter
aparecido Maria, apresentar um estilo típico português. É igualmente
curioso o facto de a potência dominadora (tenha sido Portugal ou a
Holanda) ter resolvido edificar um templo num local de tão difícil a
cesso, e a vários quilómetros da costa, numa altura em que a ocupação da
colónia restringia-se à orla marítima. Esse facto alimenta a suspeita de
que o local já era considerado sagrado pelos autóctones antes da
edificação do templo. Assim, os colonizadores terão edificado o templo
católico sobre o local sagrado dos povos locais, como forma de mostrar o
seu poder e submetê-los psicologicamente. Com efeito, a dominação dos
deuses de um povo tem sido uma técnica de submissão dos povos usada por
várias potências imperialistas ao longo da história da humanidade. No
meio de toda essa amálgama de lendas, milagres, mistérios e
contradições, desde 1645 - e quiçá muito antes - que Muxima tem chamado
a si corações de milhares de pessoas que junto dela falam das suas
preocupações, angústias e desejos. Muita gente vai à "Mamã Muxima" na
esperança de que esta resolva os seus problemas de saúde que a ciência
não tenha conseguido debelar, outros vão pedir que ela lhes traga
dinheiro e os livre da pobreza em que vivem. Não raramente pessoas há
que vão à Muxima para entregar-lhe a vida de alguém.

(Para fazer o download clique com o lado direito do rato no CD e clique
em Guardar destino como... Anote o sítio no disco para onde vai
fazer o download e, quando este terminar, vá lá e clique no ficheiro
MP3. Este processo demora um pouquinho, mas poderá continuar a navegar
enquanto ele decorre ) |

Letra e música:
Rui Monteiro
In: "Desculpem Qualquer Coisinha", 1985
Victor Almeida
Com fios feitos de lágrimas passadas
Os meninos de Huambo fazem alegria
Constroem sonhos com os mais velhos de mãos dadas
E no céu descobrem estrelas de magia
Com os lábios de dizer nova poesia
Soletram as estrelas como letras
E vão juntando no céu como pedrinhas
Estrelas letras para fazer novas palavras
Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade
Com os sorrisos mais lindos do planalto
Fazem continhas engraçadas de somar
Somam beijos com flores e com suor
E subtraem manhã cedo por luar
Dividem a chuva miudinha pelo milho
Multiplicam o vento pelo mar
Soltam ao céu as estrelas já escritas
Constelações que brilham sempre sem parar
Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade
Palavras sempre novas, sempre novas
Palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
E até já dizem que as estrelas são do povo
Assim contentes à voltinha da fogueira
Juntam palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
E até já dizem que as estrelas são do povo
CIDADE DO HUAMBO

Cidade:
A cidade do Huambo foi criada em 8 de Agosto de 1912. Em 1928
passou a chamar-se Nova Lisboa, até à data da independência em
1975, quando teve restituído o seu nome original. Situa-se no
planalto central de Angola e é sede de uma das províncias mais
ricas do País, com 35.771 km2 e quase dois milhões de habitantes.
A sua economia baseia-se na extracção de petróleo, ouro, produção
de café e diamantes.
|
(conteúdo trazido por Arlete
Alves)
|
|
AGOSTO
O vento no rosto
o vazio na alma
vem o tempo
vai o tempo
vem o dia
cai a noite
vem Agosto
vai Agosto
e no calor cíclico
da espera,
sopra-me este vazio
na alma,
pernoita-me este vento
no rosto.(poema dito por
Ana Lúcia Palminha)
|
 |
|
|
Lágrima de preta Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio. |
ANTÓNIO GEDEÃO Afirmando-se como um dos mais brilhantes e talentosos
criadores lusófonos do século XX,
Rómulo de Carvalho/ António Gedeão, respectivamente, o professor,
pedagogo e historiador da ciência, e o seu alter-ego literário,
atravessou todas as convulsões e acontecimentos marcantes do nosso
século, que se reflectiram no formar-se de um espírito extremamente
marcado pelo
cepticismo e pela ironia, sempre presentes nos seus
poemas.
Licenciado em Ciências Físico-Químicas pela Universidade do Porto em
1931, traduziu como ninguém, a ciência para os leigos, desvendando
segredos científicos com a mesma simplicidade com que os exemplificava.
Lisboeta toda uma vida, uniu de forma exemplar, através da sua
obra, a ciência e a poesia, a vida e o sonho. Apesar de só aos 50
anos ter decidido publicar o seu primeiro livro de poesia, inaugurando
assim uma carreira que se afirmou por si própria na cultura portuguesa,
tornou-se uma figura de referência incontornável no imaginário colectivo
do povo português, principalmente para toda a
geração da "Pedra Filosofal".
 |
|
|
|
Dez réis de esperança
Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos à boca
e viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,
(conteúdo trazido por Carolina
Palminha) |
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue. |
|
|

(conteúdo trazido por
Teresinha Amoroso)
Fernando
Pessoa |
ROSAS
Não quero rosas, desde que haja
rosas.
Quero-as só quando não as possa haver.
Que hei-de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?
Não quero a noite senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir.
Para quê?... Se o soubesse, não faria
Versos para dizer que inda o não sei.
Tenho a alma pobre e fria...
Ah, com que esmola a aquecerei?...
Fernando Pessoa, 7-1-1935
|
|
S. Martinho
(António Gonçalves)
No S. Martinho,
Prova-se o vinho
E a água-pé...
Castanhas assadas,
Tão adoradas
Em Santo André.
E há quem diga,
Da jeropiga,
Bebe um copinho...
Que animação,
Da tradição
No S. Martinho.
A festa é rica
E ninguém fica
Pelo caminho...
Porque há alegria
E neste dia
Prova-se o vinho!
A verdade é esta,
Faz-se uma festa
Com muita fé...
E é um dom,
O vinho ser bom
E a água-pé!
Festas são boas,
Para as pessoas
E muito amadas...
Mas o prazer,
Será comer;
Castanhas assadas!
Presentemente,
Por toda a gente,
Vão ser compradas...
Com artimanhas,
São as castanhas,
Tão adoradas!
Modernos, antigos,
Amigas, amigos,
Isto é que é...
Nada de susto,
Com o Magusto
Em Santo André!
(conteúdo trazido por António Gonçalves)
|



  |
|
|
|
|
QUADRAS & QUADROS
JOÃO HENRIQUES
Eu sou o poeta-pintor,
que gosta de ser palhaço;
Misturo poesia na cor,
Das palhaçadas que faço.
Para celebrar o Natal
Pediram-me que escrevesse,
No português que soubesse,
Rimas sem nenhum mal,
Daquelas com pouco sal.
Então, pedi ao Senhor
Que é muito sabedor
E que me ensinou a pintar,
Se me deixava gabar:
Eu sou o poeta-pintor!
Nesta quadra que é festiva,
Troco as telas pelos palcos
E ando por lá aos saltos,
Não tenho outra alternativa;
Com tanta criança viva
Tenho que acertar o passo
E é com isto que engraço.
Não sei se a ideia é boa,
Só sei que sou a pessoa
Que gosta de ser palhaço.
As rimas são como os fatos,
Que o Pepe veste nas festas
E as telas são como estas:
Coloridas sem recatos,
Imensas como os sapatos,
De número bem superior
Mas que ficam um primor,
Combinam com a maleta
E por rimar com paleta,
Misturo poesia na cor. |

Ao terminar sou sincero,
Nos votos de felicidade,
Para toda a comunidade.
Do Pai Natal só espero,
Realizar o que quero,
Sem ter algum embaraço;
Apertando num abraço
Este mundo d'esperanças
E gostar como as crianças,
Das palhaçadas que faço. |
|

Boa como o milho!
Linda como a lua!
E já traz um filho
A correr na rua.
Que bela mulher,
Da qual me encanto
Já não usa manto
Porque não o quer,
Veste o que quiser.
Seu olhar de brilho
Promete sarilho...
Ao vê-la passar,
Hei-de comentar:
Boa como o milho!
(conteúdo trazido por João Henriques) |
Travarei contacto
Se passar por mim,
Dir-lhe-ei que sim
A este contrato:
Pintar um retrato
Da beldade sua,
Descobri-la nua
Na praia ao sol-posto
E beijar-lhe o rosto,
Lindo como a lua.Disse-me que não,
Foi-se num instante,
Sempre deslumbrante.
Deu o coração...
Cortou o cordão...
Atou o atilho...
Já tem um cadilho
Que a mete à prova,
Ainda tão nova
E já traz um filho.
E no seu destino,
Felizes os dois,
Correm e depois
Foge-lhe o menino,
Torce-lhe o pepino...
Ele não amua
E ela continua
Com o seu rebento,
Cabelos ao vento
A correr na rua.
 |
|
|
Natália Correia (1923
- 1993)
Escritora portuguesa, natural de Fajã de Baixo, São
Miguel, Açores. Fez os estudos secundários já em Lisboa. Sem estudos
universitários foi, em 1979, deputada à Assembleia da República.
Colaborou em diversos jornais e revistas. Não se prendendo fortemente a
nenhuma corrente literária, esteve inicialmente ligada ao surrealismo e,
segundo a própria, a sua mais importante filiação estabeleceu-se em
relação ao romantismo. A obra de Natália Correia estende-se por géneros
variados, desde a poesia ao romance, teatro e ensaio.
Foi fundadora da Frente Nacional para a Defesa da
Cultura, interveio politicamente ao nível da cultura e do património, na
defesa dos direitos humanos e dos direitos da mulher. Apelou sempre à
literatura como forma de intervenção na sociedade, tendo tido um papel
activo na oposição ao Estado Novo.
Foi uma figura importante das tertúlias que reuniam
nomes centrais da cultura e da literatura portuguesas dos anos 50 e 60.
Ficou conhecida pela sua personalidade vigorosa e polémica, que se
reflecte na sua escrita.
|
POEMA DESTINADO A HAVER
DOMINGO
Bastam-me as cinco
pontas de uma estrela
E a cor dum navio
em movimento
E como ave, ficar
parada a vê-la
E como flor,
qualquer odor no vento.
Basta-me a lua ter aqui deixado
Um luminoso fio de
cabelo
Para levar o céu
todo enrolado
Na discreta ambição
do meu novelo.
Só há espigas a crescer comigo
Numa seara para
passear a pé
Esta distância
achada pelo trigo
Que me dá só o pão
daquilo que é.
Deixem ao dia a cama de um domingo
Para deitar um
lírio que lhe sobre.
E a tarde
cor-de-rosa de um flamingo
Seja o tecto da
casa que me cobre
Baste o que o tempo traz na sua anilha
Como uma rosa traz
Abril no seio.
E que o mar dê o
fruto duma ilha
Onde o amor por fim
tenha recreio.
Natália Correia
in Passaporte (1958) |
Natália
Correia |
(conteúdo trazido por Maria do Céu) |
|
|
Amar
|
|
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada.
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar
|

(Para fazer o download clique com o
lado direito do rato no CD e clique
em Guardar destino como... Anote o sítio no disco para onde vai
fazer o download e, quando este terminar, vá lá e clique no ficheiro
MP3. Este processo demora um pouquinho, mas poderá continuar a navegar
enquanto ele decorre )
(conteúdo trazido por Silvana
Sapage) |
|
Ser Poeta
|
|
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além-Dor
É ter de mil desejos o explendor,
E não saber sequer quem os deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor
É ter fome, é ter sede de infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
É amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma e sangue e vida em mim,
E dizê-lo cantando a toda a gente.
|
Florbela
Espanca

|
|
|
- Tema:
'LIVRE' |
|
|
|
|
|